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Falta de políticas públicas travam o mercado de combustíveis renováveis

Por Jorge Figueiredo
em 4 de fevereiro de 2013 às 6:53


Estratégia do governo para salvar a Petrobras prejudicou o setor sucroenergético, que perdeu competitividade.

A falta de políticas públicas voltadas especificamente para o setor de produção de etanol ainda é o maior problema enfrentado pelo setor, diz Eduardo Leão de Souza, diretor da Unica
A falta de políticas públicas voltadas especificamente para o setor de produção de etanol ainda é o maior problema enfrentado pelo setor, segundo o diretor da União das Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Souza. O executivo falou na manhã desta sexta-feira, durante o 17º Clube da Cana, evento promovido pela multinacional americana FMC, no Hotel Sofitel Jequitimar, em Guarujá, litoral paulista. Segundo ele, a estratégia pública adotada pelo Governo Federal para “salvar” a Petrobras prejudicou imensamente o segmento e precisa ser revista com urgência. Em segundo lugar, o fator que inibe o desenvolvimento do setor é a falta de infraestrutura logística.

Souza diz que nos últimos 10 anos, estas políticas públicas foram capazes de desonerar a gasolina, reduzindo o custo de importação e permitindo a estabilidade nas bombas. “Há 10 anos, a incidência tributária sobre a gasolina era 22%, hoje é de 8%”, diz ele, alegando que ainda assim, esta estratégia não será suficiente para salvar a estatal do prejuízo nos próximos anos.

A estratégia permitiu que a estatal elevasse sua receita em 26%, mas ainda assim, este índice é insuficiente para solucionar o problema. “A estatal ainda está trabalhando com uma defasagem de R$ 0,40 a R$ 0,50 por litro de gasolina e em 2012, o Brasil importará seis bilhões de litros. Todo o setor de combustíveis precisa de uma intervenção imediata para que nos próximos anos nós não tenhamos uma crise de abastecimento bastante grave”, afirma. Se não houver esta intervenção, a dívida da empresa pode chegar a R$ 8 bilhões em 2020.

No setor de etanol, o problema é ainda maior. Ainda que o governo desonerasse o biocombustível, o produtor ainda trabalharia com uma margem de lucro pequena, muito arriscada devido à alta dos preços de custos. Sem os 12% de incidência tributária, o litro do etanol seria praticável por R$ 1,42 (contra R$ 1,48 atuais). “É ainda um grande risco para a indústria”, enfatiza. “No entanto, precisamos achar um caminho para dobrar a produção de etanol nos próximos oito anos”.

Hoje, a produção de etanol está estimada em 560 milhões de toneladas de cana. A meta, de acordo com o executivo, é chegar à safra 2015/2016 produzindo 886 milhões de toneladas, e em 2020/2021, 1,2 bilhão de toneladas de cana-de-açúcar.

Usinas em atividade 413 plantas
Produtores de cana 70 mil
Empregos 1,18 milhão de empregos diretos
Receita R$ 50 bilhões
Exportações R$ 16 bilhões
Matriz energética 16%
Redução de CO² 600 milhões de toneladas a menos na atmosfera

Fonte: Globo Rural